2.6.15

// ARTISTA MÊS JUNHO: ANDRÉ SANTOS //





Junho cheira a sol, cheira a praia, a conversas em esplanadas e em risos com a luz bonita das 9 da noite. Junho tem boas energias, Junho é o André dos meses.

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Depois de um mês repleto de maratonas de trabalho e novas experiências (boas, diga-se! Novas aventuras são sempre bem-vindas!), foi altura de uns dias off em Londres, em mood "girls just wanna have fun". Mas como o tempo não pára, por cá já é dia 2 de Junho e já é dia (mais que dia até) de vos anunciar o novo artista do mês:
Bem-vindo Junho, e Bem-vindo André Santos!

Uma das várias aventuras que Maio me trouxe foi a "Carruagem vai à Escola" (que é um projecto que promete um post especial, brevemente) e com a carruagem veio a Diana, a Sara e o André. E num brainstorming fora-de-horas sobre quem seria o artista do mês de Junho, fez-se luz e o óbvio aconteceu: "tenho que convidar o André para ser o mês de Junho". E assim foi: convidei o André que, prontamente, aceitou o  meu convite e partilhou do meu entusiasmo sobre estes mimos soalheiros. 

Eu sei que digo isto de todos os artistas que vos trago mensalmente (ou não fosse eu a escolhê-los), mas o André tem um talento, aliás, tem uma mão cheia de talentos, e o mais bonito é que se vê, pela maneira de falar e de expressar, que é verdadeiramente apaixonado por aquilo que faz. E quando as pessoas são verdadeiramente apaixonadas por aquilo que fazem o resultado só pode ser bom, porque o que vem do coração tem sempre aquela ingenuidade sincera e honesta que é muito bonita de se ver e de partilhar.

O André, tal como os talentos, tem várias paixões: desde o teatro ao design, passando pelos cartazes à publicação independente, mas uma das minhas áreas favoritas dentro do trabalho do André é o PaperCut, que é uma técnica de criar algo a partir do recortar e voltar a colar papel, um trabalho minucioso e que requer além de paciência, muito gosto. 

Mas não me vou alongar mais, o melhor é mesmo conhecermos o André através das suas próprias palavras. Eis a entrevista:



Conta-nos, quem é o André? Assim um pequenino resumo do teu background, como chegaste até aqui?


Então, basicamente eu sempre gostei muito de desenhar, a minha família sempre foi muito criativa nesse sentido, a minha irmã também é designer, de interiores, portanto é uma área que me é familiar. Mas em 2005, estava no 8º ou 9º ano acho eu, fiz um curso de teatro em Valongo, com uma companhia profissional, e achava “é teatro que eu quero”, só que depois tive algumas opiniões de actores profissionais um bocadinho menos motivadoras e que me fizeram repensar um bocadinho e eu acabei por entrar na árvore, aqui no porto, em artes gráficas, porque tinha a ver com desenho que era o que eu gostava de fazer... Os anos foram passando e, de facto, hoje em dia não me arrependo nada! Claro que continuo a ter contacto com o teatro, desde logo com a Carruagem, mas a fazer design para teatro e isso é muito fixe porque acabo por ter o melhor dos dois mundos/estar ligado aos dois mundos... Mas agora o design é uma coisa que eu não mudava por nada e, mesmo dentro do design, vou descobrindo ao longo dos anos - e ao longo do trabalho que vou desenvolvendo - áreas em que eu gosto de trabalhar, por exemplo agora estou a tentar o papercut, que é basicamente desenhar sem desenhar, desenhar recortando papel, e é uma coisa que comecei por amor, com algum interesse e curiosidade, e agora quero investir nisso porque dá-me mesmo prazer estar ali aquele tempo todo sozinho a treinar a paciência, sabes? E é fixe depois ver a reacção das pessoas aquele trabalho, é mesmo prazeroso e compensador! Por isso foi acontecendo este contacto com o design, mas agora uma coisa que não mudava por nada mesmo!





Como é que começa o teu dia? Tens alguma rotina?


Não. Há aquelas rotinas que toda a gente: eu não consigo acordar sem tomar banho, não desperto... há pessoas que fazem isso à noite! Se eu não acordar muito tarde e não tomar banho, ando todo o dia a morrer! Mas não tenho assim grandes rotinas.. mesmo no trabalho - trabalho em casa e sou freelancer - tenho a minha gestão de tempo, e às vezes vou ao ginásio de manhã, outras vezes à tarde, depende... Começo por 'checkar' e-mails e coisas assim, normalmente faço isso logo de manhã e preparo a agenda do que quero para esse dia: o que é mais importante fazer, o que pode ficar para amanhã se não conseguir fazer hoje... mas se me ligarem a dizer “queres vir tomar café?” se calhar vou e perco uma horita a conversar (que também gosto bastante disto, de uma mesa e conversa)... aqui há uns anos, na Árvore,  houve uma fase que eu só trabalhava! Chegava a casa, jantava em 15 minutos e voltava a trabalhar e estava sempre a correr, até que, a dada altura - acho que foi na esad - percebi que "epa calma, há cenas mais importantes que estar sempre virado para o trabalho", se calhar se chegares a casa e ficares ali na conversa com os teus pais a falar sobre o teu dia, é muito melhor do que estar sempre a pensar no trabalho, e acaba por também ser uma fuga, para desligar um bocadinho e não estar sempre a pensar naquilo... há vezes em que prazos e entregas não deixam isso, mas tento sempre que isso aconteça, por isso tento com que isso seja uma rotina minha.


O que não pode faltar no teu espaço de trabalho?


Música! Música não pode mesmo faltar! Às vezes até sou um bocado chato quando as pessoas estão a trabalhar comigo e não há música, porque eu peço logo música ou então acaba o cd e eu peço para voltar a pôr outra vez, porque eu acho que é mesmo um input muito fixe e estabelece o mood, isso não dá mesmo para contornar.. Depois o computador obviamente, e motivação! Boa disposição!!! Assim a nível de ferramentas não há nada obrigatório, apenas o que preciso para aquele trabalho em especifico - se for um livro se calhar é papel e 'monos', e for paper cut é uma mesa de corte e bisturi, mas música tem sempre que lá estar! 




Tens algum tipo de processo criativo? Algo que seja comum a todos os trabalhos?



Sim, para já ter um contacto directo com o cliente para mim é importante: neste momento estou com um livro bastante denso, um livro fotográfico, e perceber a motivação do cliente para aquele livro, o que é que ele quer transmitir, é importante. Tento sempre ver referências, dentro daquilo que estou a fazer, o que se faz de bom dentro daquele tipo de abordagem - seja lettering, sejam publicações ou identidades - e depois é ir desenhando... eu não desenho muito, acho que sou um bocadinho preguiçoso nesse sentido [risos], faço só um rápido esboço e se eu acho que é por ali, vou em frente... há pessoas que trabalham muito na quantidade, tipo “vou fazer 20, destes 20 escolho 5, depois dos 5 escolho...” eu não: eu faço no máximo 3 e se sinto que é por ali vou! Se for um projecto autónomo claro que é mais fácil, porque se eu sinto que é aquilo então fica logo, se for com cliente e ele não gostar então Ok, temos que voltar atrás e voltar a fazer, mas não sou de esboçar muito muito muito... tenho um processo de trabalho muito intuitivo! Uma vez um professor meu, o João Faria,  disse na aula  “mais nervo, menos cérebro”. É o deixares-te trabalhar com o coração! Deixares a tua marca com o que te apetece dizer naquela altura, não muito técnico, não demasiado pensado... também dependendo do projecto, há projectos que são mais aliciantes nesse sentido há outros que nem tanto, mas o meu processo de trabalho é muito nesse sentido: perceber o que é que o cliente pretende e o que ele quer dizer/transmitir e depois deixar sempre a nossa marca; porque acho que o trabalho do designer, apesar de ser uma prestação de serviços, também tem que ser algo nosso, é deixar a coisa fluir... 







O que te inspira? De onde vêm as tuas inspirações?



Isso é uma resposta que já me foi mais difícil, e agora digo sem hesitar que são as pessoas! Assim sem qualquer dúvida... pá, fui percebendo que as pessoas, para ao bem e para o mal (que também há pessoas que não são assim tão fixes), são verdadeiras inspirações! Nós vivemos uns dos outros e somos um animal que vive em comunidade e é só assim que faz sentido! Eu trabalho sozinho mas não prescindo de opiniões de colegas, mesmo que seja via internet “o que é que achas disto? Tá fixe?”, e mesmo com os clientes tento não trabalhar só para eles, mas sim COM eles, sabes? Haver essa sinergia entre os dois.
Todos os meus projectos estão ligados à pessoas, o paper cut começou por causa de uma pessoa em particular, este tipo de publicações independentes começaram por esta vontade de reunir várias pessoas, trabalhar com várias pessoas desde o impressor da serigrafia, até ao encadernador, aos ilustradores, então acho que aquilo que me inspira são mesmo as pessoas e criar coisas para as pessoas,.. Depois claro que há uma série de referências de designers que também me inspiram, mas são bastantes, cingir a 3 ou 4 é difícil.
Este fim de semana fui ao Get Set, o festival aqui no Porto, e houve um orador que disse uma coisa engraçada, tipo uma “tip”/ uma dica, que foi: “procura um ídolo, e trabalha até seres tão bom ou melhor do que ele”. Eu acho que ainda não consegui encontrar esse ídolo, mas diariamente vou arranjando ídolos com os quais trabalho, sejam clientes ou colegas... tenho em particular dois colegas que são bastante inspiradores para mim, seja como pessoas ou como profissionais. É isso, aquilo que me inspira e me move são de facto as pessoas.



Que tipo de trabalhos te dá mais gozo fazer?


Houve uma vez que estava a ter uma entrevista de trabalho, não era bem uma entrevista era mais uma conversa, e perguntaram-me “O que é que costumas fazer?” e eu disse “pá, gosto mais de fazer editorial, identidade e cartazes” e eles disseram “mas... basicamente isso é tudo”... [risos].
Eu comecei a trabalhar mais no cartaz, com companhias amadoras em 2007/2008, e nessa altura tentava investir quase exclusivamente no cartaz, mas depois fui descobrindo outras áreas que aprendi a gostar, a identidade, por exemplo, era uma coisa que eu não gostava tanto, honestamente era mais chato para mim, mas fui descobrindo também que tem muito potencial e que me dá bastante gozo. O cartaz continua a ser uma das áreas que mais gosto mas, neste momento, interessa-me muito trabalhar com o papel. Seja em papercut seja neste tipo de publicações independentes, trabalhar o aspecto físico do livro, do papel, explorar isso... acho que tem muito a ver também com aquela questão do coração... eu não gosto muito de trabalhar só no computador, preciso muito de ter “a mão na massa” e isso permite-me tocar no papel e sair do ecrã, explorar as técnicas de impressão, explorar o potencial do papel... acho que às vezes subestimamos o poder do papel, e é um material muito nobre. E nesta altura em que estamos, "na época do digital", chegou a falar-se da morte do livro: eu não me acredito em nada disso porque acho que cada vez mais o livro está a ganhar outro estatuto, quase de colecção... e a tua pergunta era...?! [risos] Trabalhos que dão mais gozo, pois, neste momento é mesmo os trabalhos mais físicos: o livro e o papercut, em especifico, mas trabalhar esta questão da “fisicalidade” do objecto. 






E o PaperCut, como surgiu? Foi amor à primeira vsita?



Na verdade o primeiro projecto que fiz em papercut foi por amor mesmo, mas não foi nada forçado: comecei a ver projectos nesse sentido e pensei “será que consigo fazer alguma coisa disto?” e, apesar de eu ser uma pessoa calma e paciente, nunca pensei que estar 3 dias à volta de um bisturi e papel e cornucópias me fosse tão prazeroso... é um bocadinho doloroso naquele momento [risos] mas ainda assim quando acaba é maravilhoso. 



Quanto tempo demoraste?


No caso específico do quadro “Vida de casados / Vida de acamados”, demorei 5 dias, tendo em conta todo o processo: desde o desenho do cartaz em si, a passagem para o papel com uma mesa de luz, que também é outro elemento importante se trabalho em papercut, e depois o corte, e aí sim demora mais. Depois do corte ainda vem o 'adicionar', porque se eu corto estes “O’s”, por exemplo, os olhinhos interiores vão sair então tenho que reservá-los de lado e quando o quadro está terminado colá-los outra vez. Mas também demorei 5 dias porque foi a primeira vez e estava a arranjar uma técnica viável... depois o segundo projecto foi um quadro que me foi encomendado, para uma pessoa fazia 50 anos, e aí foram 3 dias. Também tem um desenho menos complexo, porque no quadro do “Vida de casados” houve um problema/um desafio que me coloquei a mim próprio, que foi: queria que o quadro pudesse ser virado ao contrário, então tu lês “Arranjarmos uma casinha para fazer vida de casados” e ao contrário “caminha para acamados”. A questão é que o 'casados' e o 'acamados' eu queria que fosse um ambigrama quando na verdade não é - porque o amigrama é quando tipo “Mafalda” que se lê assim ou assim (de pernas para o ar, ou de pernas para o chão) - e foi essa a complicação, porque 'acamados' tem mais uma letra que 'casados' então tinha que conseguir que o A se lesse em “acamados” mas em “casados” fosse só um ornamento, sem compreensão. Tenho consciência que não está tipo “lê-se perfeitamente” mas como foi uma coisa feita “para mim”, sem cliente, era uma experiência e foi muito fixe. 




Falando agora das tuas fanzines: já tens duas publicações independentes, já nos contaste que querias juntar pessoas e foi isso que te moveu, mas de onde veio/como surgiu a motivação para estes projectos? Como foi a reacção das pessoas? Como foi a integração das pessoas no projecto? Conta-nos um bocadinho mais sobre isto...


A minha primeira publicação independente foi o “Cá se fazem”que surgiu de um projecto académico com o professor José Bártolo. Basicamente o que aconteceu foi que nós tínhamos que criar um atelier fictício para apresentarmos trabalho, e eu caí no erro de criar um atelier do Porto, Contemporâneo, que era na rua das flores e fazia trabalhos para o “Teatro ao Largo". Mas depois pensei “como é que eu vou convencer a comunidade escolar que eles existem se eles são daqui e ninguém os conhece?!” então o truque passou por criar uma publicação que reunia 10 ateliers que de facto existem - o Sérgio Alves, o João Jesus, o Royal Studio, uma série deles - e camuflar um bocadinho lá pelo meio o “Get up folks”, que foi o nome que eu dei ao estúdio.
Iniciamente só fiz um exemplar daquela publicação, para apresentar na esad, mas surpreendentemente quando eu postei o projecto no behance houve várias encomendas... mas tipo 6 seguidas!! E eu “Pá, se calhar fico rico com isto!” [risos]. Não, mas pensei “Podia, de facto, fazer uma triagem maior disto” e foi aí que começou tudo isto: Nunca tinha feito uma coisa tão grande, apesar de ser pequena ainda, porque 100 exemplares não é nada, mas tive que tratar da parte de produção, ir a encadernadores e a serigrafias e tratar de toda a parte por trás da produção do livro. 




"aquilo que me inspira e me move são de facto as pessoas"








Como foi feito o livro?


Eu fiz o desenho do livro, a paginação e depois foi tudo impresso em serigrafia, que é uma técnica diferente de impressão manual (aliás, tem um bocadinho de impressão digital mas é só nos nomes dos autores, é muito pouco, foi praticamente tudo em serigrafia).
A ideia partiu de criar uma fanzine mas subverte-la um bocadinho - porque a fanzine é normalmente associada a um objecto mais caseiro, mais corriqueiro, impresso em casa tipo chapbook do século XVII - e neste caso o objectivo era manter a fanzine (eu não gosto de lhe chamar livro, embora haja pessoas que digam que isto não é uma fanzine) mas com esta abordagem diferente. Pronto, e foi assim que começou este gosto também pela auto-publicação e por querer trabalhar em colaboração com ilustradores, designers, encadernadores, por aí fora. A "Nem tudo o que reluz é Ouro" esgotou em 4 dias, que foi muito fixe!




Porque só fizeste apenas uma tiragem de 100 exemplares?


Queria que esta publicação tivesse este lado da exclusividade, a criação de um objecto de luxo que há poucos exemplares ajuda a isso. Ainda houve pessoas que pediram uma segunda edição mas eu disse que não ia fazer para ficarem tipo “Não consegui aquela publicação”  [risos]. Mas com tudo isto nasceu também a vontade de criar uma editora independente, que é uma coisa que não é o meu ganha pão, tenho que "ir fazendo", mas tenho já ideia para 2 publicações, ainda que um bocadinho quase como trilogia desta: que é baixar agora o registo para algo mais pobre, e depois voltar a subir para um ambiente mais rico, com “prata” e com outro tipo de ilustradores mais “A Prata da Casa”. Mas pronto , é tudo muito devagar porque não tenho desde logo capital para fazer isso agora...






Sentes que o teu objectivo com estas publicações foi cumprido?


Sim, eu acho que sim. No primeiro caso, o Cá se fazem” a ideia foi apresentar alguns ateliers, uns mais conhecidos outros menos conhecidos, com uma entrevista do atelier com algumas questões mais pessoais, uma coisa mais informal, e nesse sentido a adesão foi muito fixe e as pessoas que não conheciam esses ateliers ficaram a conhecer, e ficaram a conhecer também o meu trabalho. Há pessoas que me perguntam se tenho algum retorno financeiro com isto: nunca tive! Nem na primeira nem na segunda publicação, mas há outro tipo de retorno que não é o financeiro mas que é o de conhecer pessoas que de outra forma não teria conhecido, criar sinergias fixes com pessoas de Lisboa e de outros pontos do País... Com esta segunda fanzine, “Nem tudo o que reluz é Ouro”, ainda foi mais evidente esse objectivo: de facto eu queria mesmo abrir um leque diferente nesta questão da fanzine e acho que isso ficou cumprido, e é fixe porque eu sinto que agora há pessoas, mesmo na esad, a vir ter comigo e pedir conselhos ou ajuda porque estão a trabalhar em auto-publicação, então sinto que, de alguma maneira, a coisa serviu de alguma coisa, que deixei uma marca, e isso deixa-me bastante contente!






Consegues dizer-nos qual é o teu trabalho favorito? Aquele que te deu mais gozo e te trouxe mais realização no final?



Eu percebo que seja difícil escolher, mas neste caso é fácil porque tem a ver com a questão do coração: acho que os 2 projectos (diria talvez um em cada área) seria este, da Fanzine, e o quadro do “Vida de casados/acamados”.  A fanzine porque, de facto, foi um processo muito longo, foram 14 meses a trabalhar nele, e todo o retorno pessoal e reconhecimento que teve também me deixa mesmo contente com o resultado final; e depois o caso do quadro porque veio do coração, nisso não posso mentir, e perceber que aquilo ficou bonito (eu acho que ficou bonito [risos] ), que fez uma pessoa contente, fez-me a mim também feliz... e isso é fixe!
Há ainda outro projecto que me lembrei agora: houve um concurso há 2 ou 3 anos atrás na esad, para um projecto de Natal e Ano Novo que tinha como tema “Há no novo, Vida nova”, então eu fiz um calendário do Advento - que está ligado ao Natal - mas em vez de ter chocolates tinha desejos das pessoas, ou seja, aquela coisa do Ano Novo de quando comes as 12 passas e em cada uma delas pedes um desejo? A ideia era ter um desejo por cada dia, coisas mesmo simples desde “sorrir para o funcionário do balcão” ou “sorrir no metro” ou sei lá, coisas assim mesmo simples e banais que se calhar até melhorava o dia de outra pessoa. Pronto, eu fiz esse projecto para o concurso, e foi fixe porque ganhei o concurso e um ipad [risos], e nesse ano ficou por ali. Até que, no ano seguinte, tive pessoas que me encomendaram esse calendário - claro que depois cada pessoa poderia colocar os seus desejos - e há um caso em particular, de uma mãe de 3 filhos, que ia partilhando os desejos que saíam e a reacção da familia:  tipo "fazer pizza” ou “ir ao museu”, e é mesmo impagável ver a felicidade deles, tipo “André, obrigada por este projecto”! 
Eu não tinha noção que podia trazer assim felicidade para as pessoas, de criar algo que ia ser uma surpresa: de quereres dar um calendário ao teu namorado ou ao teu irmão ou a quem fosse e aquilo ser especial para os 2 porque fazem coisas em comum, e não há nada que pague a felicidade das pessoas! Por isso também foi um projecto muito especial “quase sem querer”, porque fi-lo com um intuito e depois começou a arrastar-se para outra coisa e foi mesmo muito fixe, muito especial!






O que te vês a fazer no futuro? Se tivesses que dizer, neste momento, qual era a tua "grande ambição"... qual seria? 



A nível profissional, talvez fosse conseguir andar com esta editora para a frente, conseguir sustentá-la de maneira a que consiga sobreviver, porque sei que é difícil; também seria não sair do Porto, é um dos meus objectivos é conseguir trabalhar aqui e para cá, ou seja, as pessoas trabalham muito lá para fora (e claro que se um projecto entrar não recuso), mas tenho mesmo a ambição de conseguir trabalhar cá e para cá, para o Porto, e acho que o caminho também está a ser mais ou menos traçado nesse sentido, agora com a companhia de teatro, “Palmilha dentada”, por exemplo, acho que a coisa está a ser “palmilhada” nesse sentido... e depois a nível pessoal é isto, é continuar a poder estar com quem gosto, gosto bastante desta coisa de conversas e estar numa mesa à volta com amigos; tenho a ambição, como muita gente claro mas tenho-a muito vincada, de ser Pai! Adoro putos e quero ser um bom pai, mas é isso, opa não tenho assim coisas megalómanas tipo “ter uma casa com piscina” [risos], é conseguir viver com aquilo que tenho e ser feliz com isso! 
É deixar marca neste mundo, de alguma maneira, seja muito grande ou pequena, com muitas pessoas ou com menos pessoas. Nos projectos sinto que, também se calhar com alguma distância é que se percebe isso, já consegui deixar algumas marcas, já tive algumas provas disso, e mesmo a nível pessoal sempre tive rodeado de miúdos, de vizinhos meus, e é muito fixe olhar para eles agora e ver que há ali uma marca minha sabes? Um bocadinho da educação deles, porque eles passavam a vida lá em casa, nas férias e ao fim de semana, e é muito fixe ver que há ali uma certa parte deles que fui eu que lhes passei... O futuro é isso: é tentar deixar marca de alguma maneira; é ser-se honesto com as pessoas, que acho que é uma coisa importante e logo aí a coisa corre bem! Se houver honestidade e se fores tu, seja a nível pessoal ou no trabalho, as coisas acabam por acontecer e acabas por ser feliz, que é esse o objectivo.


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Sem mais demoras, os maravilhosos mimos do André:










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"(eu acho que) Se houver honestidade e se fores tu, seja a nível pessoal ou no trabalho, as coisas acabam por acontecer e acabas por ser feliz, que é esse o objectivo."

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#1 - "Always be Honest"
#2 - "Nice to people"


1 mimo do artista do mês - 6 
Pack artista do mês [conjunto dos 2 cadernos] - 10 
[ valor de portes de envio para Portugal incluído ]

Como sempre e em todos os modelos de mimos, podem personalizar a frase/texto sem qualquer custo adicional!


3, 2, 1:

Já podem começar a encomendar estes mimos tão especiais!
 Já sabem, é só enviar email para blog.thempire@gmail.com, com o mimo que querem e a frase para colocar na caixinha de texto.


Um especial obrigada ao André, por  tão em cima da hora ter alinhado nesta ideia! É um enorme prazer ter-te por estas bandas.
Já sabem,  para conhecer todos os projectos do André, basta fazerem follow aqui neste link  do Behance.


Let's be honest and nice to people? Este é o mote/tema para Junho!
Contem-nos tudo o que acharam aqui ou no facebook.

Uma semana maravilhosa,
lots of love,
The M Pire